Maduro reforça vigilância e repressão política diante da pressão militar dos EUA.

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O governo de Nicolás Maduro intensificou a repressão interna na Venezuela em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, que ampliaram a presença militar no Caribe e no Pacífico sob o argumento de combater o narcotráfico. Segundo o Financial Times e a CNN, o regime chavista aumentou o número de prisões por suspeita de dissidência e reforçou a vigilância por meio de grupos paramilitares e de um aplicativo que estimula denúncias entre cidadãos.

A escalada ocorre após ataques americanos contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico, que deixaram cerca de 70 mortos. Maduro teria interpretado a movimentação militar — incluindo o envio de navios, tropas e bombardeiros B-52 — como um sinal de possível ofensiva para removê-lo do poder.

Nos bairros populares de Caracas, grupos conhecidos como colectivos, aliados do regime, foram mobilizados para monitorar moradores e conter protestos. De acordo com relatos, eles realizam revistas, interrogatórios e controlam o acesso a serviços básicos. “O melhor é não falar de política e não dar motivos para suspeitas”, contou um morador do bairro 23 de Enero ao Financial Times.

Paralelamente, o governo ampliou o uso do VenApp, aplicativo inicialmente criado para relatar falhas em serviços públicos, mas que passou a permitir denúncias anônimas de cidadãos considerados “suspeitos”. Após denúncias de uso político, Apple e Google retiraram o app de suas lojas, embora ele siga ativo em versões alternativas.

Organizações de direitos humanos relatam aumento das prisões políticas — que já somam 875 detidos — e denunciam uma “militarização total” do país. “Sob o pretexto de defender a soberania, Maduro intensificou o controle social e a perseguição à dissidência”, afirmou Oscar Murillo, do grupo Provea.

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, mantém indefinida sua estratégia em relação à Venezuela. Segundo o Wall Street Journal, o presidente avalia opções que vão desde o endurecimento de sanções até uma ação militar direta, embora ainda haja divisões internas sobre uma eventual mudança de regime.

Com o aumento das tensões e o endurecimento das medidas internas, a Venezuela vive um dos momentos mais delicados desde os protestos pós-eleitorais de 2024, em um cenário marcado por vigilância, desconfiança e repressão.

Redação CN67.

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