Por: Fabiana Widal
A frase “meu filho está com preguiça de estudar” tornou-se comum na fala de muitas famílias. Mas, na prática, o que vemos no acompanhamento pedagógico e psicopedagógico é algo muito diferente: não é preguiça, é sobrecarga. Vivemos em um tempo em que as crianças são inundadas por estímulos.
São telas que piscam, conteúdos rápidos, atividades extracurriculares em excesso, agendas cheias e uma pressão silenciosa para dar conta de tudo. No meio desse turbilhão, a atenção se dispersa, o prazer de aprender diminui e o cérebro infantil entra em fadiga.
E quando a criança se sente cansada, ansiosa ou sem espaço para respirar, ela não consegue sustentar a concentração, organizar o pensamento ou ter motivação para as tarefas escolares.
Não é falta de vontade. É falta de pausa. É falta de tempo de ser criança. A neurociência explica: o cérebro precisa de equilíbrio entre estímulo e descanso para consolidar o aprendizado. Quando esse equilíbrio se perde, a aprendizagem se torna pesada e não natural, como deveria ser.
Por isso, antes de julgar a criança, precisamos olhar para os seguintes contextos:
Será que a rotina está acelerada demais?
Será que as telas estão ocupando o espaço da imaginação e da calma?
Será que a agenda não tem mais espaço para brincar?
Será que ele(a) está precisando de afeto, acolhimento e menos pressão?
Crianças não aprendem no cansaço.
Crianças aprendem na segurança, na curiosidade, no vínculo e no tempo respeitado.
Como professora e neuropsicopedagoga, observo diariamente que quando a criança é ouvida, quando sua rotina é ajustada e quando ela encontra um espaço amoroso para aprender no seu ritmo, tudo muda: a autoestima cresce, a atenção melhora e o prazer de aprender floresce novamente.
A solução não é forçar mais. É cuidar mais. É permitir que a criança seja criança e não um adulto em miniatura tentando cumprir prazos.
Porque a verdadeira aprendizagem acontece quando há espaço para respirar, brincar, imaginar e, finalmente…aprender!!!
