A Força da Presença Masculina na Marcha das Mulheres Negras 2025.

Mato Grosso do sul

Por Felipe Augusto.


Estar na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em Brasília em 2025, foi um dos momentos mais emocionantes da minha trajetória como presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Negro, liderança em Igualdade Racial, Delegado Nacional da Conferência LGBTQIAPN+ da População Negra e Delegado Estadual da Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial. Ver mais de 300 mil mulheres negras de diferentes idades, territórios e países caminhando juntas com tanta força e espiritualidade reforçou para mim o tamanho dos avanços que estamos construindo enquanto povo negro.

Para mim, como homem negro, estar ali foi também uma afirmação de responsabilidade. Acredito que nós, homens, precisamos ocupar esses espaços não para buscar protagonismo, mas para apoiar e fortalecer as mulheres negras que há séculos sustentam essa luta. Participar dessas pautas nos faz refletir sobre como nossa presença pode transformar, não para conduzir, mas para somar; não para falar mais alto, mas para ouvir; não para disputar espaço, mas para ajudar a construir caminhos.

Durante a Marcha, algo muito profundo me atravessou. No meio daquela multidão, me lembrei da minha ancestralidade: dos meus avós, bisavós e de todos que vieram antes de mim, pessoas que muitas vezes não puderam ocupar espaços de decisão, mas que resistiram para que eu pudesse estar aqui hoje. Lembrei das histórias de força, dignidade e fé que me formaram, e caminhando entre aquelas mulheres senti que honrava cada passo que minha ancestralidade deu para que eu permanecesse de pé.

E houve um momento de emoção em que o choro simplesmente veio. Estar ali também era marchar pela minha mãe e pelas minhas irmãs, mulheres potentes, guerreiras, que enfrentam batalhas todos os dias e que me ensinaram o valor da resistência. Pensar nelas, no peso que carregam, na força com que seguem, me tocou profundamente. Eu senti que representava não só a luta coletiva, mas também a luta íntima, familiar, aquela que moldou o homem que sou.

Ao vivenciar a Marcha, percebi que, quando os homens se afastam desses movimentos, deixam sobre as mulheres um peso ainda maior, e isso não é justo. Precisamos assumir nosso papel no enfrentamento ao racismo e às desigualdades, compreendendo que a luta pela igualdade racial é coletiva. E, ali, entre tantas lideranças femininas, entendi ainda mais a grandeza das mulheres negras que constroem a luta diariamente. Mulheres como Marina Laís Duarte, presidente da UNEGRO Bahia e vice-presidente da CNPIR, que com sua firmeza, visão política e coragem engrandecem o movimento e reforçam a força da nova geração de mulheres pretas que seguem abrindo caminhos para todas nós e todos nós.

No meio daquela energia carregada de potência e ancestralidade, entendi que estar presente é também um ato de reparação e compromisso com as próximas gerações.

Aos homens negros que ainda hesitam em participar dessas pautas eu digo que estar junto é aprender, evoluir e honrar quem veio antes de nós. A força da Marcha mostrou que apoiar as mulheres negras não é apenas necessário, é urgente, e foi vendo milhares delas caminhando com tanta dignidade que percebi, mais uma vez, que avançamos quando caminhamos juntos.

Porque homens na luta não precisam de palco, precisam de coragem; não precisam ser vistos, precisam ser firmes; não precisam disputar espaço, precisam fortalecer quem sempre sustentou esta caminhada. E é por isso que eu, Felipe Augusto, sigo presente, comprometido e incansável, caminhando ao lado das mulheres negras, honrando minha ancestralidade, a força das mulheres da minha família e a potência de lideranças como Marina Laís Duarte, para que a história continue avançando.

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