Lula inicia último ano de mandato com aprovação melhor que em 2006, mas enfrenta cenário eleitoral mais incerto.

Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa seu último ano de mandato com índices de aprovação superiores aos registrados há 20 anos, quando buscava a reeleição, mas diante de um ambiente político e social mais complexo e desafiador. Analistas avaliam que a forte polarização, a insegurança pública, as incertezas econômicas e a dificuldade de diálogo com trabalhadores informais podem pesar contra uma eventual tentativa de um quarto mandato.

Em 2025, Lula enfrentou sua maior crise de popularidade nos três mandatos, mas encerrou o ano com avaliação de “ótimo e bom” superior à registrada no início de 2006. À época, o principal fator de desgaste era o escândalo do mensalão. Já no cenário atual, a inflação dos alimentos foi o principal problema, especialmente entre os mais pobres, embora a alta tenha desacelerado ao longo do ano com safra recorde e juros elevados.

Especialistas destacam que, apesar de indicadores ainda positivos como inflação mais controlada e desemprego baixo, o contexto econômico é menos favorável do que em 2006, quando o país vivia aceleração do crescimento. A tendência agora é de desaceleração, o que pode afetar o humor do eleitorado.

No campo político, Lula se beneficia de uma oposição fragilizada, marcada por escândalos e falta de um nome consolidado, além de fatores externos que reforçaram um discurso nacionalista. Ainda assim, analistas alertam que o peso das redes sociais, inexistente há duas décadas, mudou radicalmente a forma de decisão do voto.

A segurança pública surge como tema central da eleição. Pesquisa indica que 38% dos eleitores consideram a violência o principal problema do país, área em que o governo não conseguiu aprovar propostas relevantes em 2025. Além disso, cresce a preocupação com a insegurança econômica e com pautas de valores, especialmente entre jovens e mulheres.

Outro ponto sensível é a dificuldade do governo em dialogar com empreendedores informais, como motoristas e entregadores de aplicativos, um grupo decisivo em uma disputa que tende a ser apertada. Para analistas, a eleição de 2026 será marcada por margens estreitas, em que pequenos deslocamentos do eleitorado podem definir o resultado final.

Redação CN67.

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