As imagens da invasão e da depredação das sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro de 2023, completam três anos nesta quinta-feira (8) como um dos episódios mais graves da história recente do Brasil. O ataque ao Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) entrou para os registros como uma das páginas mais sombrias da trajetória democrática do país.
Naquele domingo, em Brasília, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam barreiras de segurança e invadiram os prédios que simbolizam os Poderes da República. O objetivo era explícito: pressionar por um golpe de Estado para derrubar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, empossado havia apenas uma semana.
O 8 de janeiro foi o ponto culminante de uma trama golpista construída ao longo de meses. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano começou a ser articulado ainda em 2021, após Lula recuperar seus direitos políticos. A partir daí, integrantes do núcleo bolsonarista passaram a fomentar o confronto institucional, a deslegitimação das eleições e o descumprimento de decisões judiciais.
Com a confirmação da derrota de Bolsonaro no segundo turno, em 30 de outubro de 2022, o inconformismo ganhou as ruas. Bloqueios em rodovias, protestos e, depois, acampamentos em frente a quartéis se espalharam pelo país, com pedidos de intervenção militar. O principal deles, montado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, serviu de base para os grupos que protagonizaram a invasão da Praça dos Três Poderes.
A radicalização se intensificou em dezembro, com episódios de vandalismo, tentativas de invasão à Polícia Federal, incêndios de veículos e até um atentado frustrado com explosivos próximo ao Aeroporto de Brasília. Apesar do clima de instabilidade, a posse de Lula ocorreu sem incidentes. A calmaria, porém, durou pouco: uma semana depois, veio o ataque que chocou o país e o mundo.
Três anos depois, o governo federal, o STF e outras instituições promovem atos em defesa da democracia, dentro da campanha “Democracia Inabalada”. As iniciativas buscam preservar a memória do episódio e reforçar o compromisso com a ordem constitucional, diante de uma tentativa de ruptura que deixou marcas profundas na política e na sociedade brasileira.
