Parlamentares do Partido Republicano passaram a se mobilizar para conter as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de tomar posse da Groenlândia. As falas reiteradas do presidente provocaram reações no Congresso e ampliaram o debate sobre os rumos da política externa americana e o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Nas últimas semanas, republicanos e democratas adotaram uma postura rara de convergência ao tratar do tema. Discursos no plenário destacaram a importância estratégica da Otan, enquanto projetos de lei começaram a tramitar com o objetivo de impedir qualquer ação militar dos Estados Unidos contra a Dinamarca, país ao qual a Groenlândia está vinculada.
Além das articulações internas, uma delegação bipartidária viajou a Copenhague para reuniões com autoridades dinamarquesas. O gesto buscou demonstrar compromisso com a aliança histórica entre os países e reduzir as tensões geradas pelas declarações do presidente americano.
Apesar disso, não há garantias de que a ofensiva do Congresso será suficiente para frear o discurso de Trump, que segue afirmando publicamente que pretende assumir o controle da ilha no Ártico. As declarações alimentam temores de um possível enfraquecimento da Otan, considerada há décadas um dos principais pilares da influência dos Estados Unidos na Europa.
As falas do presidente também causaram preocupação fora do país. Parlamentares avaliam que a retórica agressiva pode gerar consequências profundas para a ordem internacional, por envolver um aliado histórico e membro da aliança militar. Para o senador democrata Chris Coons, quando um aliado é ameaçado repetidamente, o risco passa a ser levado a sério.
A presença de senadores republicanos como Thom Tillis e Lisa Murkowski nas agendas diplomáticas reforçou o peso político da iniciativa. Além da viagem à Dinamarca, parlamentares participaram de reuniões em Washington com autoridades dinamarquesas e representantes da Groenlândia, tratando de cooperação e segurança no Ártico.
No Capitólio, cresce a avaliação de que a postura do presidente pode comprometer relações construídas ao longo de décadas. Mesmo entre republicanos, o tom adotado por Trump tem gerado desconforto. Projetos em discussão buscam limitar ações unilaterais e impedir o uso de recursos federais em qualquer iniciativa militar sem autorização do Congresso.
O impasse evidencia o desafio do Legislativo em conter uma política externa marcada por declarações consideradas imprevisíveis, em um momento decisivo para a credibilidade das alianças internacionais dos Estados Unidos.
