O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, voltou a demonstrar insatisfação com a decisão do Parlamento Europeu de impor obstáculos ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A declaração foi feita durante um painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Merz afirmou que o pacto é fundamental para garantir um crescimento econômico mais robusto no continente europeu.
Segundo o chanceler, o acordo firmado com os países sul-americanos é equilibrado e representa uma oportunidade estratégica para a Europa. “O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos alcançar um crescimento mais elevado na Europa”, afirmou. Merz defendeu ainda que a União Europeia adote o tratado de forma provisória enquanto as discussões políticas continuam.
A fala reforça posicionamentos anteriores do chanceler, que já havia criticado publicamente, nas redes sociais, a decisão de parlamentares europeus de barrar o acordo assinado no último sábado, em Assunção, no Paraguai. Os eurodeputados apontaram preocupações jurídicas e questionamentos sobre a legalidade do texto como justificativa para o bloqueio.
Durante o painel em Davos, Merz também tratou de temas relacionados à segurança internacional. Ele afirmou que a Europa não aceitará ameaças ao seu território e destacou o compromisso com a defesa da Groenlândia e da Dinamarca diante de tensões envolvendo a Rússia. “Qualquer ameaça de força contra o território europeu é inaceitável”, declarou.
No cenário interno, o chanceler abordou os desafios para tornar a economia alemã mais dinâmica e competitiva. Segundo ele, será necessário avançar em reformas estruturais, como a redução de impostos e mudanças no sistema trabalhista. Merz citou diferenças na carga horária de trabalho como um dos fatores que afetam a produtividade, ao afirmar que os alemães trabalham, em média, cerca de 200 horas a menos que os suíços.
Ele também defendeu a redução da burocracia e do excesso de regulamentações na Europa, apontando esses fatores como entraves ao crescimento econômico e à competitividade das empresas do bloco.
As declarações reforçam a pressão de setores do governo alemão para destravar o acordo com o Mercosul, considerado por Berlim uma peça-chave na estratégia econômica e comercial da União Europeia.
