A proximidade do prazo de desincompatibilização eleitoral deve provocar uma ampla reformulação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até abril, ao menos 17 dos 38 ministros avaliam deixar os cargos para disputar as eleições de 2026, movimento que já mobiliza o Palácio do Planalto.
A estratégia do governo é usar as pastas como plataformas políticas para ampliar a base aliada no Congresso e fortalecer um eventual projeto de reeleição de Lula. As mudanças, porém, atingem áreas centrais da administração federal.
Entre as saídas mais relevantes está a da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deve disputar o Senado. Na Casa Civil, Rui Costa (PT-BA) também é cotado para deixar o cargo e concorrer a um mandato eletivo. Já a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), avalia disputar novamente o Senado.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), nega intenção eleitoral, mas é citado internamente como possível candidato ao Senado ou ao governo paulista. Caso deixe o cargo, o secretário-executivo Dario Durigan é o nome mais lembrado para substituí-lo.
Outros ministros também planejam disputar eleições, como Anielle Franco (Igualdade Racial), Renan Filho (Transportes), Carlos Fávaro (Agricultura), Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
Com o avanço do calendário eleitoral, o governo entra em um período de transição política, indicando que a disputa de 2026 já influencia decisões centrais do Planalto e deve impactar o ritmo da gestão nos próximos meses.
