Por: Fabiana Widal.
Todo início de ano é parecido: a turma ainda está se ajustando, o ritmo parece mais lento e surgem dúvidas sobre atenção, comportamento e aprendizagem. Isso é esperado e tem explicação.
Durante as férias, o cérebro da criança entra em um modo de funcionamento diferente. Há menos exigências cognitivas, menos rotinas estruturadas e maior liberdade de tempo. O cérebro não “regride”, mas desorganiza temporariamente suas funções executivas, como atenção sustentada, autocontrole e planejamento.
Segundo os princípios do desenvolvimento cognitivo descritos por Piaget, a criança aprende a partir da interação contínua com o meio. Quando o ambiente muda, o cérebro precisa assimilar e depois acomodar essa nova realidade. O retorno à escola exige exatamente isso: reorganização interna para dar conta novamente de regras, horários, foco e demandas acadêmicas.
Por isso, nas primeiras semanas, é comum observar:
Atenção oscilante;
Dificuldade de manter o ritmo;
Maior impulsividade;
Cansaço mental
Esse período não é sinal de dificuldade, mas de readaptação neurológica.
O que a criança mais precisa nesse momento?
✔Rotina previsível;
✔Repetição;
✔Segurança emocional:
✔Adultos que compreendam o tempo do cérebro
Pressa, cobrança excessiva e comparações só aumentam o estresse e atrasam esse ajuste. Com constância e acolhimento, o cérebro retoma o ritmo. Aprender é um processo e o começo do ano é, antes de tudo, um tempo de reorganização.
Sejamos pacientes Pais.
