Por: Dra. Viviane Maia.
Vivemos em um ritmo cada vez mais acelerado. A sensação de urgência parece constante, como se o tempo nunca fosse suficiente para dar conta de tudo o que precisa ser feito. Trabalho, responsabilidades familiares, compromissos sociais e cobranças pessoais se acumulam, e, muitas vezes, seguimos no automático, apenas tentando sobreviver aos dias. Essa rotina acelerada, embora socialmente valorizada, cobra um preço alto da saúde mental. O corpo até continua em movimento, mas a mente começa a dar sinais de exaustão. O cansaço deixa de ser apenas físico e passa a ser emocional. Surgem a irritabilidade sem motivo aparente, a dificuldade de concentração, o esquecimento frequente e a sensação constante de tensão.
Quando não há pausas suficientes, o cérebro permanece em estado de alerta contínuo. É como se estivéssemos sempre preparados para resolver problemas, responder demandas e cumprir prazos. Esse estado prolongado de estresse interfere no sono, no humor e na capacidade de sentir prazer nas pequenas coisas do dia a dia, favorecendo quadros de ansiedade e esgotamento emocional. Outro impacto silencioso da pressa é o distanciamento de si mesmo. Na correria, deixamos de perceber nossas próprias necessidades emocionais. Ignoramos sinais claros de desgaste, normalizamos a dor e seguimos acreditando que “dar conta de tudo” é sinônimo de força. Aos poucos, o autocuidado vai sendo adiado, e o sofrimento emocional se instala de forma discreta, porém profunda.
A rotina acelerada também afeta os vínculos. Quando estamos sempre apressados, escutamos menos, nos conectamos menos e nos tornamos mais impacientes. Relações que deveriam ser fontes de apoio acabam sendo atravessadas por estresse, irritação e ausência de presença real, aumentando sentimentos de solidão e incompreensão. Além disso, a pressão para ser produtivo o tempo todo reforça a ideia de que descansar é perda de tempo. Essa crença faz com que muitas pessoas sintam culpa ao parar, mesmo quando estão exaustas. No entanto, o descanso não é luxo, é necessidade básica para o equilíbrio emocional e para a manutenção da saúde mental.
Como desacelerar e cuidar da saúde mental.
Algumas mudanças simples, quando feitas de forma consciente, podem ajudar a reduzir os impactos da rotina acelerada:
Respeite seus limites.
Reconhecer que você não é ilimitado é um passo importante. Nem todas as demandas precisam ser atendidas imediatamente, e aprender a priorizar protege a saúde emocional.
Inclua pausas reais no dia a dia.
Pausas não precisam ser longas. Alguns minutos de respiração consciente, silêncio ou alongamento ajudam o corpo e a mente a saírem do estado constante de alerta.
Reduza o excesso de estímulos.
O contato contínuo com notificações, mensagens e informações aumenta a ansiedade. Estabelecer momentos longe do celular contribui para mais tranquilidade mental.
Observe os sinais do corpo e da mente.
Irritabilidade frequente, desânimo, insônia e dificuldade de concentração não devem ser ignorados. São sinais de que algo precisa de atenção e cuidado.
Permita-se pedir ajuda.
Buscar apoio emocional e psicológico não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo. Cuidar da mente é um ato de amor-próprio.
Desacelerar não significa desistir da vida ou das responsabilidades, mas escolher viver com mais presença, consciência e equilíbrio. Cuidar da saúde mental é um compromisso diário consigo mesmo e você merece esse cuidado.
