Emoções não resolvidas não somem, elas se manifestam.

Mato Grosso do sul

Por: Dra. Viviane Maia.

Muitas pessoas acreditam que ignorar sentimentos difíceis é uma forma de seguir em frente. Mas o que nãoé acolhido emocionalmente não desaparece apenas encontra outras formas de se manifestar. Emoções reprimidas continuam pedindo atenção, mesmo quando tentamos seguir a vida como se nada estivesse acontecendo.

Na psicologia, compreendemos que sentimentos não elaborados costumam se expressar através do corpo, do comportamento e dos relacionamentos. Aquela tristeza engolida, a raiva silenciada ou o medo ignorado não deixam de existir. Eles apenas mudam de linguagem, buscando caminhos para serem percebidos.

O corpo, muitas vezes, fala o que a mente tentou calar. Dores frequentes, tensão muscular, cansaço constante, alterações no sono, problemas gastrointestinais e baixa imunidade podem estar ligados à sobrecarga emocional. Não é fraqueza, nem exagero é o corpo reagindo ao excesso de emoções guardadas.

No comportamento, os sinais também aparecem. Irritabilidade sem motivo claro, dificuldade de concentração, isolamento, compulsões, procrastinação ou sensação de vazio emocional são formas de expressão de sentimentos não resolvidos. Muitas vezes, a pessoa não entende o porquê de certas reações, mas elas carregam histórias não cuidadas.

As emoções reprimidas costumam se acumular em silêncio, como camadas invisíveis. A pessoa segue funcionando, cuidando de tudo e de todos, mas por dentro sente um peso constante. Esse acúmulo pode gerar uma sensação permanente de alerta, como se algo estivesse sempre prestes a acontecer, mesmo quando tudo parece estar sob controle.

Quando não aprendemos a expressar o que sentimos, o corpo assume esse papel. Ele transforma o emocional em sinais físicos, tentando proteger e alertar ao mesmo tempo. É comum acordar cansado, ter dificuldade de relaxar ou viver em estado de tensão contínua. O corpo não adoece por fraqueza, mas por excesso de silêncios emocionais.

Nos relacionamentos, emoções não resolvidas também deixam marcas profundas. Podem surgir afastamentos, reações intensas ou dificuldades em confiar e se entregar. Muitas vezes, a dor não está no presente, mas em experiências passadas que não foram elaboradas. Sem perceber, repetimos padrões tentando resolver hoje o que ficou pendente ontem.

Permitir-se sentir é um gesto essencial de autocuidado. Reconhecer emoções, inclusive as desconfortáveis, é um passo importante para a saúde mental. A psicoterapia oferece um espaço seguro para esse encontro consigo mesmo, onde é possível falar sem julgamentos e aprender a lidar melhor com o que dói.

Cuidar das emoções é prevenção, não fraqueza.

Escutar o que você sente é um ato de respeito consigo mesmo e o começo de qualquer transformação emocional.

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