BRASÍLIA (DF): Gonet rebate Mendonça e defende atuação da PGR em investigação sobre Banco Master.

Política

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rebateu críticas do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defendeu a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) na análise de pedidos da Polícia Federal (PF) na investigação sobre o Banco Master. Segundo Gonet, a manifestação do Ministério Público em processos criminais não pode ser tratada como uma “formalidade vazia de importância”.

A posição foi apresentada em resposta a Mendonça, relator do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o banco. O ministro havia criticado a PGR por afirmar que não havia urgência comprovada para análise imediata da terceira fase da operação, etapa que levou à prisão do dono da instituição, Daniel Vorcaro. Na ocasião, a PGR pediu mais prazo para se manifestar sobre o caso. Mendonça classificou a postura como uma “demora perigosa”.

Gonet argumentou que as representações analisadas pela Procuradoria tinham grande volume de informações. Segundo ele, cada petição apresentada pela PF com novas revelações da investigação ultrapassava 700 páginas. O procurador-geral também afirmou que os documentos precisam ser analisados em conjunto com outros elementos do inquérito.

“Os fatos, mesmo os mais graves, não podem deixar, por exemplo, de ser situados no tempo, até mesmo para que os pressupostos das medidas requeridas sejam avaliados em boa técnica”, escreveu. Ele acrescentou que, conforme entendimento consolidado do próprio Supremo Tribunal Federal, a gravidade de um crime, por si só, não é suficiente para justificar medidas cautelares no processo penal.

Investigação sobre o Banco Master

Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro integraria uma organização criminosa chamada “A Turma”. O grupo seria formado por “profissionais do crime” que utilizariam violência e coação, funcionando como uma espécie de milícia privada.

O parecer da PF embasou a prisão de Vorcaro.

Na mesma operação, a polícia também cumpriu três mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estão o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Fontes da Polícia Federal em Minas Gerais informaram que Mourão teria tentado suicídio enquanto estava sob custódia na superintendência regional do órgão.

A defesa de Luiz Phillipi Mourão, porém, afirmou que ele está vivo, mas em estado grave. A Polícia Federal abriu investigação para apurar o ocorrido.

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