Autossabotagem: por que temos medo de dar certo?

Mato Grosso do sul

Por: Dra. Viviane Maia.

Às vezes, o maior obstáculo não está no mundo está dentro da gente. A autossabotagem aparece de forma silenciosa, escondida entre decisões pequenas que parecem inocentes, mas que nos afastam de algo importante. É quando adiamos o que queremos, diminuímos nossas conquistas, nos convencemos de que “não é para nós” ou encontramos desculpas para não tentar.

No fundo, a autossabotagem não é preguiça. É proteção. A mente cria mecanismos para evitar frustrações, rejeições ou falhas que, um dia, machucaram muito. Por trás desse comportamento existem crenças negativas formadas ao longo da vida: “não sou capaz”, “vou decepcionar alguém”, “não mereço coisas boas”, “se eu tentar, posso perder”.

Essas crenças se transformam em padrões repetitivos. A pessoa troca de objetivo várias vezes, abandona projetos no meio, se envolve em relações que não a valorizam, procrastina sempre nos momentos mais importantes ou vive escolhendo o caminho mais seguro aquele que não traz crescimento, mas também não oferece risco.

A boa notícia é que todo padrão pode ser ressignificado. O primeiro passo é observar-se com honestidade e gentileza: o que eu ganho mantendo esse comportamento? do que eu estou tentando me proteger? Autoconhecimento não é julgamento, é cuidado. Quando entendemos a raiz da autossabotagem, abrimos espaço para novas escolhas.

A superação acontece quando damos pequenos passos consistentes. Não precisa ser perfeito, apenas real. Fortalecer a autoestima, celebrar avanços, reconhecer capacidades e pedir ajuda quando necessário faz toda diferença. A mudança começa quando você acredita que merece dar certo e merece mesmo. No fim, a autossabotagem não é sobre medo do sucesso. É sobre medo de sair do conhecido. Mas crescer é justamente isso: atravessar o desconhecido e descobrir que existe vida bonita do outro lado.

🌿 Dicas práticas para superar a autossabotagem:

1. Observe seus padrões

Perceba quando você sempre faz as mesmas escolhas que te prejudicam. Nomear o comportamento é começar a vencê-lo.

2. Questione suas crenças

Pergunte-se: essa ideia é realmente minha ou foi algo que aprendi lá atrás? Nem tudo que você acredita sobre si é verdade.

3. Comece pelo pequeno

Metas enormes geram medo. Metas pequenas geram movimento. A constância vale mais que a perfeição.

4. Respeite seu tempo emocional

Mudar padrões antigos leva tempo. Evite se julgar. Trate-se como você trataria uma pessoa querida.

5. Celebre cada avanço

Reconheça cada passo que você consegue dar. Isso fortalece a confiança e desmonta a crença de incapacidade.

6. Crie frases afirmativas realistas

Troque “eu nunca consigo” por “aos poucos estou aprendendo”. Seu cérebro precisa de novas narrativas.

7. Quando necessário, peça ajuda

A autossabotagem fala alto, mas não precisa ser enfrentada sozinha. Psicoterapia é caminho seguro e acolhedor.

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