Uma auditoria interna identificou graves irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians, com retiradas que superaram em quase 300% a cota anual prevista em contrato. Apesar do volume elevado de itens recebidos, diversas modalidades — especialmente a base e esportes olímpicos — enfrentam falta de uniformes ou utilizam peças antigas e em mau estado.
O relatório aponta falhas estruturais, como ausência de inventário há mais de quatro anos, notas fiscais não lançadas que somam R$ 6,4 milhões e distribuição desigual de materiais. Também foram identificadas retiradas sem autorização formal, pedidos acima do necessário, armazenamento irregular e até venda clandestina de produtos do clube, envolvendo funcionários.
O vice-presidente Armando Mendonça aparece no centro de várias inconformidades, incluindo retirada de itens sem registro, tentativas de interferir no processo auditor e comportamento classificado como agressivo e ameaçador em conversas com o responsável pela investigação. Ele nega responsabilidade pelos problemas, afirma pedir melhorias no sistema e diz que o relatório é tendencioso.
Entre 2024 e 2025, o Corinthians recebeu mais de 75 mil itens da Nike, ultrapassando em R$ 15,7 milhões o limite contratual — excedente que, segundo o contrato, não gera cobrança por parte da fornecedora. Ainda assim, times das categorias de base tiveram de “racionar” uniformes, e houve casos de falta de camisas até no elenco profissional.
O relatório final aponta falhas graves de controle, risco fiscal, distribuição ineficiente e suspeitas de comercialização indevida. O documento apresenta 17 recomendações e foi enviado ao presidente do clube, ao Conselho Deliberativo e à Polícia Civil, que já investiga o caso.
Redação CN67
