Fobia social: quando o medo de ser visto vira sofrimento.

Mato Grosso do sul

Por: Dra. Viviane Maia.

Você já deixou de falar, de ir a um lugar ou de ser quem é por medo do olhar do outro?

Para muitas pessoas, esse medo vai além da timidez. Ele paralisa, machuca e se transforma em sofrimento. É disso que falamos quando abordamos a fobia social. A fobia social não é “frescura”, falta de força de vontade ou exagero. É uma condição psicológica real, marcada por um medo intenso de ser observado, julgado ou rejeitado. Situações simples para alguns falar em público, participar de reuniões, fazer uma pergunta, comer na frente de outras pessoas podem se tornar verdadeiros desafios internos.

Quem vive com fobia social costuma travar batalhas silenciosas. O corpo reage: coração acelerado, mãos suadas, voz trêmula, falta de ar. A mente insiste em pensamentos duros:

“Vou errar.”

“Vão rir de mim.”

“Não sou suficiente.”

Com o tempo, o medo de ser visto vira medo de viver. A pessoa começa a evitar situações, se isola, perde oportunidades e, muitas vezes, passa a se culpar por algo que não escolheu sentir.

Dicas práticas para lidar com a fobia social no dia a dia

1. Reconheça seus limites sem se culpar

Você não precisa se forçar além do que consegue hoje. Respeitar seus limites não é desistir, é cuidar de si.

2. Questione os pensamentos automáticos

Nem tudo que sua mente diz é verdade. Pergunte-se: “Tenho provas reais de que serei julgado(a)?” Muitas vezes, o medo fala mais alto que a realidade.

3. Comece pequeno

Expor-se aos poucos ajuda o cérebro a entender que nem toda interação é uma ameaça. Pequenos passos, também são progresso.

4 . Permita-se errar

Errar faz parte de ser humano. Ninguém está tão atento quanto você imagina. A maioria das pessoas está preocupada consigo mesma.

5. Busque apoio psicológico

A psicoterapia ajuda a compreender a origem do medo, fortalecer a autoestima e desenvolver estratégias para enfrentar situações sociais com mais segurança.

É importante lembrar: você não é fraco(a) por sentir isso. O sofrimento não define quem você é. Ele apenas sinaliza que algo precisa de cuidado, acolhimento e apoio. A psicoterapia oferece um espaço seguro para olhar para esses medos sem julgamento, compreender suas origens e, pouco a pouco, ressignificar experiências. O processo não é sobre “se tornar alguém sem medo”, mas sobre aprender a caminhar apesar dele, com mais autocompaixão e segurança emocional.

Se o medo de ser visto tem te impedido de viver plenamente, saiba: há ajuda, há tratamento e há esperança. Você não precisa enfrentar isso sozinho(a). Cuidar da saúde mental também é um ato de coragem.

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