Por: Viviane Maia.
Com a virada do ano, o mês de janeiro se transforma em um convite à reflexão. Não apenas sobre metas e novos começos, mas, principalmente, sobre o cuidado com aquilo que muitas vezes é silenciado: a saúde mental. Criada para sensibilizar a sociedade sobre o tema, a campanha Janeiro Branco vem se consolidando como um movimento essencial para estimular diálogos, romper tabus e reforçar que pedir ajuda não é fraqueza, mas um gesto de coragem.
Grande parte das pessoas enfrenta, ao longo da vida, algum nível de sofrimento psíquico, seja por ansiedade, estresse, lutos, sobrecarga profissional ou dificuldades nos relacionamentos. O problema surge quando esses sinais são ignorados ou minimizados.

A importância de falar sobre emoções
A prevenção começa com a compreensão de que emoções precisam ser reconhecidas e acolhidas.
“Quando conseguimos nomear aquilo que sentimos, criamos possibilidades de cuidado e conexão. Ao expressar dores, medos e angústias, abrimos espaço para apoio e intervenções que podem impedir que o sofrimento se intensifique. O silêncio, por outro lado, tende a ampliar aquilo que poderia ser acolhido e manejado. Falar é um ato de coragem e também de cuidado consigo.”
Romper com o tabu da fragilidade
Ainda persiste na sociedade a ideia de que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza, o que impede muitas pessoas de buscar ajuda profissional.
“Cuidar da saúde mental não é privilégio, é uma necessidade humana. Assim como cuidamos da dor física, também precisamos reconhecer e tratar a dor emocional. Buscar apoio psicológico ou psiquiátrico é um gesto de responsabilidade consigo e com a própria vida.”
Redes de apoio fazem a diferença
A campanha Janeiro Branco também chama atenção para a importância das redes de apoio. Conversas abertas entre amigos e familiares, ambientes de trabalho que respeitam limites e instituições que acolhem as emoções fazem parte de um cuidado coletivo. Perceber mudanças no comportamento de alguém próximo, como isolamento, irritabilidade frequente ou desânimo constante, pode ser decisivo para que a ajuda chegue a tempo.
Pequenas atitudes salvam vidas
“Quando perguntamos ‘como você está?’ e realmente escutamos a resposta, criamos uma ponte de acolhimento. Essa escuta ativa pode evitar que a pessoa se sinta sozinha e sem alternativas. Falar sobre emoções salva vidas porque abre caminhos, cria possibilidades e fortalece quem precisa.”
Onde buscar ajuda
No Brasil, o cuidado com a saúde mental é oferecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas em sofrimento psíquico podem procurar atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), disponíveis em diversos municípios, que oferecem acompanhamento psicológico, psiquiátrico e ações de cuidado contínuo.
Em situações de crise emocional intensa ou risco de suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas por dia, pelo telefone 188, além de chat e e-mail. O serviço é voltado à escuta qualificada e ao apoio emocional. Unidades Básicas de Saúde (UBS) também são portas de entrada importantes, podendo encaminhar o usuário para acompanhamento especializado conforme a necessidade.
Cuidar da mente é um compromisso contínuo
Ao longo de janeiro, instituições de saúde, escolas e organizações promovem ações educativas, rodas de conversa e campanhas informativas. No entanto, a mensagem do Janeiro Branco deve se estender para todos os meses do ano: cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, e a empatia continua sendo uma das ferramentas mais potentes de prevenção.
