O chefe de Gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, Morgan McSweeney, renunciou neste domingo em meio à controvérsia envolvendo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington. A escolha, feita em dezembro de 2024, passou a ser questionada após a divulgação de documentos que apontam vínculos do diplomata com o financista americano Jeffrey Epstein.
Em comunicado à BBC, McSweeney assumiu a responsabilidade pela indicação. “Após cuidadosa reflexão, decidi deixar o governo. A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política. Fui eu quem aconselhou o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade”, afirmou.
Considerado um dos principais estrategistas do governo trabalhista e braço direito de Starmer, McSweeney estava no cargo desde outubro de 2024. Sua saída ocorre no momento em que o Ministério das Relações Exteriores britânico revisa a indenização paga a Mandelson após sua destituição, em setembro de 2025.
Revelações ampliaram crise
Mandelson, ex-ministro trabalhista e ex-comissário europeu, foi afastado do posto após a publicação de milhões de páginas de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao caso Epstein. O material revelou que ele manteve vínculos com o financista mesmo após a condenação por crimes sexuais.
Entre os pontos mais sensíveis estão suspeitas de possível compartilhamento de informações governamentais confidenciais, incluindo dados relacionados à crise financeira de 2008. Também foram mencionados pagamentos que somariam cerca de US$ 75 mil a contas ligadas a Mandelson ou a seu marido, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva.
A imprensa britânica divulgou ainda uma fotografia de Mandelson no apartamento de Epstein, em Paris, além de mensagens nas quais o ex-embaixador se referia ao financista como seu “melhor amigo”, o que ampliou o desgaste político.
Pressão sobre o governo
Nesta semana, Keir Starmer declarou que lamenta a nomeação de Mandelson e pediu desculpas às vítimas de Epstein, mas afirmou que não tinha conhecimento da extensão das relações entre o ex-embaixador e o criminoso americano, que morreu em 2019.
O governo britânico estuda retirar o título vitalício concedido a Mandelson, enquanto a polícia metropolitana investiga possível violação de confidencialidade. Aliados do premiê classificam o episódio como um dos momentos mais delicados do atual governo, com impacto direto na credibilidade política do Partido Trabalhista.
