NIOAQUE avança para se tornar referência em etnoturismo com plano desenvolvido por indígenas.

Mato Grosso do sul

As comunidades indígenas de Nioaque deram um passo histórico rumo ao etnoturismo em Mato Grosso do Sul com a entrega oficial do Plano de Visitação – Etnoturismo, no último sábado (29). O documento, construído em parceria entre Sebrae/MS, Governo do Estado, Fundtur/MS, Secretaria de Cidadania (SEC) e Prefeitura de Nioaque, consolida um modelo de turismo de base comunitária desenvolvido junto às aldeias Terena — Brejão, Cabeceira, Água Branca e Taboquinha — e à comunidade Atikum, na Vila Atikum.

A cerimônia foi realizada no Centro Comunitário da Aldeia Brejão e contou com apresentações culturais, como dança Putu Putu, demonstrações de grafismo, exposição de artesanato e entrega de certificados de cursos de qualificação em turismo, incluindo ecoturismo, fotografia, redes sociais e empreendedorismo.

Para o diretor-superintendente do Sebrae/MS, Claudio Mendonça, o plano representa um marco para as comunidades. Segundo ele, o turismo passa a surgir da própria identidade indígena, com protagonismo local e bases sólidas para o desenvolvimento sustentável, inserindo as aldeias na rota turística do estado.

O subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários, Fernando Souza, destacou os impactos sociais e econômicos da iniciativa, enquanto o indigenista Bolívar Porto, da Fundtur/MS, reforçou o caráter coletivo do projeto, que agora entra em fase de implementação pelas próprias lideranças.

O plano organiza diretrizes em áreas como segurança turística, estruturação dos roteiros, governança, cultura e empreendedorismo. Entre as experiências previstas aos visitantes estão vivências com grafismo, culinária tradicional, trilhas, rituais, dança e espaços como a Casa do Hermogênio e o Camping da Dona Maria. A operação será realizada por uma Agência Comunitária de Turismo, garantindo gestão integrada e profissionalizada.

O cacique Ademir da Silva, da Aldeia Brejão, comemorou a conquista, destacando que a cultura indígena agora poderá ser compartilhada com o mundo de forma segura e geradora de renda. Para o professor Thiago da Silva, da etnia Terena, o projeto simboliza um sonho coletivo com legado para futuras gerações.

O evento também marcou o lançamento da marca “NIOAC – Cultura Viva, Turismo Indígena”, que reforça a união entre ancestralidade, proteção territorial e empreendedorismo comunitário. O próximo passo será a análise e autorização da Funai, etapa necessária para abertura das atividades ao turismo nacional e internacional.

Redação CN67.

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