Por: Fabiana Widal.
No cenário atual, em que crianças e adolescentes enfrentam desafios emocionais e comportamentais cada vez mais complexos, o trabalho da orientação parental tem se mostrado essencial para fortalecer vínculos e promover uma educação mais consciente. Para entender melhor esse papel, a reportagem conversou com Juliana, orientadora parental e sócia do Espaço Tarefinha, instituição reconhecida pelo atendimento pedagógico e psicopedagógico de crianças e suas famílias.
Juliana, para começar, como você define o seu trabalho como orientadora parental?
Juliana: Meu trabalho é, antes de tudo, sobre olhar para as relações familiares. Acredito que nenhuma criança ou adolescente se desenvolve sozinho, eles se constroem dentro dos vínculos, das rotinas, das formas de cuidado e comunicação da família. Meu papel é ajudar os pais a entenderem as necessidades emocionais dos filhos, interpretarem comportamentos e encontrarem caminhos mais assertivos para educar com afeto, limite e presença.
Muitas vezes os pais chegam até nós achando que o problema está apenas no filho. Como você trabalha essa visão?
Juliana: Eu sempre digo que comportamento é comunicação. Quando uma criança apresenta agitação, desatenção, birras, dificuldades na escola ou mudanças bruscas de humor, ela está tentando dizer algo. Em vez de focar apenas no “problema”, eu ajudo os pais a enxergar o que está por trás: rotina desequilibrada, cansaço emocional, excesso de telas e permissividade, expectativas altas demais, falta de diálogo ou até mesmo o próprio estresse dos adultos em lidar com os desafios diários. A família inteira faz parte do processo e quando os pais ajustam seu modo de agir, a criança automaticamente responde de forma muito mais positiva.
E no caso dos adolescentes? Os desafios mudam bastante…
Juliana: Com os adolescentes, o trabalho é ainda mais voltado para a construção de autonomia, identidade e pertencimento. Eles vivem uma fase intensa, cheia de dúvidas e emoções à flor da pele. Muitas vezes os pais interpretam o afastamento como desinteresse, mas na verdade é um pedido silencioso por compreensão. Eu ajudo a família a reencontrar uma forma de dialogar, estabelecer limites sem romper vínculos e criar um ambiente onde o jovem se sinta respeitado e ouvido.
Você sempre fala muito sobre presença. Por que ela é tão importante?
Juliana: Porque presença não é só estar fisicamente. É estar de verdade, olhar nos olhos (chorar e sorrir), escutar com atenção, priorizar momentos simples (tomar um sorvete, ir ao cinema, jogar um jogo em família), validar sentimentos de alegria (com uma conquista) e tristeza (como uma perda). Quando os pais estão emocionalmente presentes, a criança/adolescente se sente segura para aprender, se expressar e confiar. Isso muda tudo: melhora o comportamento, o rendimento escolar, a convivência e até a autoestima.
Para finalizar, qual mensagem você deixaria para as famílias?
Juliana: Que educar não precisa ser um peso. Quando entendemos que cada comportamento tem um significado e que o vínculo é a base de tudo, a relação flui com mais leveza. Filhos não precisam de pais perfeitos, precisam de pais disponíveis, presentes, amorosos e dispostos a aprender junto. A orientação parental existe exatamente para isso: apoiar, acolher e transformar. “Educar é um processo, e ninguém precisa fazer isso sozinho. Famílias que buscam ajuda não demonstram fraqueza, demonstram amor, zelo e cuidado com quem se ama.
