A direção nacional do PT passou a interpretar a crise entre o Palácio do Planalto e o Congresso como parte de um movimento articulado por setores conservadores e da extrema direita. Para o partido, esse grupo teria fortalecido sua influência no comando do Legislativo e atuaria para fragilizar o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado como figura central do que os petistas chamam de “projeto privatista”.
A avaliação está na minuta de resolução política que começou a ser debatida pela Executiva Nacional nesta sexta-feira (5) e será levada ao Diretório Nacional neste sábado, em Brasília. O texto, elaborado pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), ligada a Lula, ainda pode sofrer alterações antes da votação final.
Embora não cite diretamente o Centrão, o documento afirma que grupos conservadores têm promovido “instabilidade deliberada” na relação com o Executivo, apropriando-se do orçamento federal e “esvaziando o presidencialismo”. Como exemplo, menciona a derrubada dos vetos ao chamado “PL da Devastação”, ocorrida um dia após a celebração da sanção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O clima de tensão aumentou após Lula indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, contrariando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que apoiava Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O texto também considera a eleição para o Senado, em 2026, uma prioridade estratégica, reforçando que a composição da Casa é decisiva para reformas e votações essenciais ao governo. A orientação é que Lula, ministros e lideranças partidárias atuem diretamente para ampliar a bancada petista.
Tarcísio de Freitas é citado como principal expoente de um projeto “neoliberal e privatista”. Segundo o PT, ele tem criado obstáculos para ações do governo federal em áreas como segurança pública, educação, infraestrutura e políticas sociais. Nesta semana, o governador classificou como “cosmética” a PEC da Segurança apresentada pelo governo e voltou a defender a redução da maioridade penal.
Com a segurança pública entre as maiores preocupações da população, o PT voltou a defender a recriação de um ministério exclusivo para o setor, separado do Ministério da Justiça. O partido afirma que o país precisa de uma política nacional integrada, baseada em inteligência e combate ao financiamento do crime organizado.
A minuta também cita a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entendida como demonstração de fragilidades da direita, ainda que o bolsonarismo permaneça mobilizado e influente.
Ainda nesta sexta-feira, o PT lança oficialmente seu oitavo Congresso Nacional, previsto para abril de 2026. O encontro, coordenado por José Dirceu, definirá diretrizes e atualizará o programa partidário, incluindo temas como justiça tributária, revisão da jornada de trabalho para o modelo 6 por 1 e tarifa zero.
Redação CN67.
