Tereza Cristina vira alvo de críticas na direita após comentar redução parcial de tarifas dos EUA.

Política


A senadora Tereza Cristina (PP-MS), figura de destaque no agronegócio e influente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrentou forte reação dentro de seu próprio campo político após comentar, no X (antigo Twitter), a decisão dos Estados Unidos de reduzir parcialmente tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

Em postagem feita na sexta-feira (15), Tereza classificou a medida — que derrubou a tarifa geral de 10% criada no governo Trump — como um “início de alívio” para o setor. Segundo ela, o gesto demonstra avanços nas negociações conduzidas pela diplomacia brasileira em conjunto com o setor privado. A senadora ressaltou, porém, que o adicional de 40%, vigente desde agosto, ainda não foi revisto.

“Finalmente, uma notícia positiva e um início de alívio para nosso agro”, afirmou. “Os 40% não caíram ainda, mas há sinais de que a atuação diplomática estatal e empresarial pode fazer a diferença. O governo precisa manter o diálogo com os Estados Unidos para que nossas exportações voltem ao ritmo normal.”

A redução anunciada por Donald Trump tem efeito retroativo e beneficia produtos como carne bovina, café, castanhas, açaí, banana e outras frutas tropicais. A expectativa do setor é que novas rodadas de negociação tratem também do adicional de 40%, considerado o principal obstáculo às exportações brasileiras.

Reação negativa entre bolsonaristas

Enquanto parte do agronegócio recebeu o recuo parcial com cautela, aliados de direita criticaram duramente o tom da senadora, acusando-a de tentar apresentar um resultado limitado como avanço significativo.

O perfil Movimento Acorda Direita, alinhado ao bolsonarismo mais radical, publicou uma resposta afirmando que Tereza estaria “vendendo como vitória algo que representa prejuízo”:

“Isso nunca foi vitória. É piora clara. Os outros países agora entram com tarifa zero nos produtos que competem com o nosso agro. O Brasil só perdeu os 10% gerais e continua pagando sozinho a taxa de 40%. Vender isso como avanço é desserviço.”

Outros perfis reforçaram as críticas, alegando que a medida teria deixado o Brasil em desvantagem competitiva. Comentários como “Está mal-informada ou mal-intencionada?” e “Não é possível comemorar nossos produtos 40% mais caros que os concorrentes” se multiplicaram na rede.

Também houve quem afirmasse que a redução não teve relação com qualquer esforço diplomático brasileiro: “A redução é global. Nada teve a ver com o governo ou com a viagem ao EUA”, escreveu um usuário.

Redação CN67.

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